Alckmin, uma vítima de FHC e de si mesmo, agoniza em praça pública

Um amigo bem informado me diz que Geraldo Alckmin era considerado um sujeito de sorte na política, meio bafejado pelo destino, mas que, quando o processo está em suas mãos, se arrebenta.

O governador de São Paulo nadava de braçada em seu quintal.

O partido controla parte do Judiciário e a mídia. Escândalos como a máfia da merenda ou a corrupção no metrô têm uma cobertura modesta e intermitente, o que ajuda a garantir a eternização tucana.

A estratégia da atual campanha é bater em Jair Bolsonaro para tentar morder uma fatia do eleitorado de direita que embarcou na aventura fascista.

Alckmin, que fez da fama de santo (apud Odebrecht) e da falta de carisma um patrimônio, faz provocações nas redes, “desafiando” JB sobre segurança pública. Pôs um general na equipe.

É patético. Bolsonaro, espertamente (você achou que nunca veria essas duas palavras juntas), ignora Geraldo, visivelmente desesperado, que não sai do chão nas pesquisas.

O chilique que teve num restaurante dos Jardins dá a dimensão da encrenca. Segundo a Folha, o saldo da conversa “instalou o clima de cada um por si”.

Os tucanos “vão tocar as articulações em seus estados independentemente do aval” de Geraldo.

A tragédia alckmista tem o dedo indelével de FHC, um articulador medíocre, um flaneur tagarela que ajudou a destruir o Brasil abraçado no golpe.

O sujeito que pediu dinheiro a Marcelo Odebrecht (“o de sempre”, define nos emails) em 2010 já tentou rifar Geraldo, a quem despreza, e trocá-lo por Luciano Huck, Flávio Rocha — qualquer coisa que cheire a “nova”.

Agora procura Marina Silva com a balela de que o PSDB não pode “fechar portas”.

Ao colunista Bernardo Mello Franco, do Globo, afirmou que Marina tem “uma história que, se bem explorada, pode permiti-la ser competitiva”, a despeito da falta de estrutura de sua campanha.

Na Jovem Pan, Marina respondeu”: “De jeito nenhum, de jeito nenhum. PT e PSDB precisam de férias”. Acrescentou que também não teria Alckmin como vice para compor sua chapa.

“Como o povo está na pior e com raiva dos políticos, não será fácil fazê-lo votar em um candidato tradicional”, aponta Fernando Henrique.

Ora. Lula é o quê? Ciro é o quê? Bolsonaro, com duas décadas na Câmara e todos os seus varões mamando no estado, é o quê?

FHC é diretamente responsável pela situação. Navegou no impeachment fraudulento de mãos dadas com Aécio, chancelou a sociedade de seu partido com a quadrilha de Temer, acoelhou-se diante dos desmandos da assim chamada Justiça.

Inventou agora uma frente de “centro”, ridicularizada até por Cesar Maia, que considera a ideia “conversa de bêbado”.

Alckmin é um desastre ferroviário, estamos combinados.

Mas, sem a humilhação extra a que o submete Fernando Henrique Cardoso, talvez ainda tivesse uma prefeitura de Pindamonhangaba para sonhar.

Diretor do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.

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