DIA DOS PAIS: SEM TERRAS MARCHAM PELO FUTURO DOS FILHOS

Três pais, acompanhados de seus filhos, contam como é marchar ao lado das crias e os desafios de ser pai em movimento.


Como todo pai, os sem terras também fazem planos e trabalham para que seus filhos tenham oportunidades melhores do que as que tiveram. Pensando no futuro dos filhos, milhares de militantes estão integrando a Marcha Lula Livre, que acontece desde a última sexta-feira (10). Nela, cerca de cinco mil pessoas estão caminhando em direção à Brasília para registrar a candidatura de Luiz Inácio Lula da SIlva (PT) à presidência na próxima quarta-feira (15).
Aderaldo Gomes de Souza, de 45 anos, é um desses pais. Natural de Belém do Pará (PA), ele mora no acampamento Chico Mendes, localizado na cidade de Benevides, no interior do Pará, e desde 2015 integra o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Aderaldo está participando de uma grande marcha organizada pelo movimento pela primeira vez, e já acompanhado do filho, Arlisson José de Souza, de 20 anos.
Está sendo um presente maravilhoso para mim estar aqui no Dia dos Pais com meu filho e outros companheiros. Temos muitos outros pais aqui e tenho certeza que estão muito satisfeitos de estarem aqui. O processo não para, é de geração em geração. Estou aqui acompanhado para que ele toque esse processo para frente. A terra que lutamos é para ele“, afirma.
Arlisson (dir.) e Aderaldo (esq.): “É um presente poder estar aqui no dia dos pais”, disse. (Foto: José Eduardo Bernardes)
Arlisson é o mais velho dos oito filhos de Aderaldo e segue os passos do pai, compondo o MST, através do setor da juventude. “Meu pai é uma inspiração para mim, estou no movimento por ele“, disse. Ele garantiu que pretende voltar a estudar para terminar o Ensino Médio e cursar a faculdade, mas sem deixar de lado o trabalho na terra que a sua família reivindica.
Daniel de Souza Lima, de 40 anos, morador do assentamento Mártires da Terra, na cidade de São Bento, no Tocantins, também está passando o primeiro Dia dos Pais durante uma grande marcha organizada pelo MST. Daniel, que é pai de Heloísa, de 5 anos, e Raquel, de 8 anos, está acompanhado das duas filhas durante os dias de caminhada até Brasília.
É uma experiência muito boa estar acompanhado delas. Elas sempre estão ao nosso lado, desde quando nasceram. As duas estiveram no Encontro Nacional das Crianças Sem Terrinha e voltaram para a escola fazendo uma verdadeira revolução, dizendo que queriam devolver o Michel Temer para capeta. As pessoas ficam muito admiradas com a capacidade delas, a forma com que estão aprendendo e conduzem os conhecimentos adquiridos com o movimento“, afirma orgulhoso.
O militante faz parte do MST desde 2002 e conseguiu se formar em técnico em agropecuária a partir de uma parceria entre o movimento e o Insituto Federal em São Luís do Maranhão (MA), com recursos do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera). Daniel espera que suas filhas tenham oportunidades melhores do que as que ele teve a partir das experiências adquiridas no movimento.
Daniel, com suas filhas, Raquel e Heloísa, acredita que com o movimento, elas terão outra visão do futuro. (Foto: José Eduardo Bernardes) 
É muito gratificante ver os filhos se criando com a formação diferenciada do que a gente teve. Quero que elas tenham uma vida bem melhor, tendo conhecimento dos seus direitos e da sua classe, de trabalhadores e camponeses. Estou certo de que elas vão ter outra visão de futuro“, garante.
Jonimar Oliveira, de 33 anos, também acredita que a filha Raquel, de 3 anos, vai ter uma formação melhor do que a dele. Jonimar passou a integrar o movimento a partir da incentivo da companheira, Bruna Roberta, de 30 anos, e da sogra. Hoje, ele mora no acampamento Padre José Tencat, em Luciara, no Mato Grosso.
Para mim, está sendo uma experiência diferente passar o dia dos pais aqui na marcha, é muito bom ter ela aqui comigo. Estou com minha filha aqui hoje pensando no futuro dela. Só o futuro vai dizer o que ela vai ser, mas a gente quando é pai tem a vida mudada, queremos sempre tudo o que é bom e melhor para os filhos. Essa luta é por ela“, conclui.

Fonte: Brasil de Fato

Mariana Pitasse / Edição: Pedro Ribeiro Nogueira

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