‘PERIGO REAL’ FEZ INTELECTUAIS E ARTISTAS SE UNIREM CONTRA BOLSONARO

Cientistas políticos veem crescimento do ex-militar nas pesquisas eleitorais como o estopim para manifesto e abaixo-assinado.


A alta de Jair Bolsonaro, candidato à Presidência da República pelo PSL, nas pesquisas eleitorais foi um dos principais motivos que reuniu mais de 300 personalidades a assinaram o manifesto Democracia Sim, lançado na noite deste domingo 23. Essa é a visão de ao menos dois cientistas políticos ouvidos por CartaCapital – um deles assinou o manifesto desde seu lançamento.
“Muita gente encarava o Bolsonaro como uma figura caricata, não levavam a sério. Outros até, em nome das ciências políticas, com base numa certa leitura do funcionamento das nossas a instituições entendiam que a gente tenderia com aquela tradicional bipolarização entre o Alckmin e um partido mais a esquerda”, afirma Claudio Couto, cientista político da FGV, que é um dos 333 que estrearam o manifesto aberto para a sociedade participar.
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O cientista político conta que foi convidado a participar do manifesto na última terça-feira 18 pelo colega Fernando Luiz Abrucio. Pela experiência dele, parte de amigos de profissão não acreditavam que a candidatura do ex-militar se viabilizaria, o que levou a uma organização tardia do Democracia Sim, praticamente às véspera do primeiro turno das eleições.
“Quando eu conversei com um colega há uns meses atrás, não faz muito tempo, disse que estava muito preocupado com o cenário [candidatura do Bolsonaro] e ele falou: ‘Imagina! Você acredita nisso? Isso não ter a menor chance!’, disse com muita convicção.”
No entanto, complementa, a perspectiva mudou: “Encontrei com esse amigo recentemente e relembrei da conversa e ele respondeu: É cara, está dando uma merda, né?”
O equívoco desse e de outros tantos, diz Couto, é que muita gente estava considerando o desenho institucional e as estruturas das instituições, mas não para a sociedade. “É preciso olhar para o ambiente que estamos vivendo. Esse ambiente de rancor e de ódio a política, a estigmatização que se produziu em volta do PT nos últimos anos.”
Rosemary Segurado, cientista política da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, ressaltou o fato, não tanto de Bolsonaro ter crescido na preferência do eleitorado no primeiro turno, mas sobretudo de as últimas pesquisas mostrarem o deputado federal ganhando em segundo turno com diferentes oponentes na disputa presidencial.
“Ele ultrapassa o primeiro colocado nas pesquisas de primeiro turno porque Lula sai do cenário, o nome do Haddad vai crescendo, mas Bolsonaro já aparece no segundo turno como possibilidade de vitória em alguns cenários. Antes, ele não ganhava em nenhum cenário.”
Para ela, o esfaqueamento sofrido pelo candidato do PSL pode ter influenciado nos resultados das intenções de voto. “A vitimização a ele também fez com que essa possibilidade de colocasse. Isso fez com que alguma pessoas falasse: opa, isso pode ser irreversível.”
Para ela, segundo turno é outra eleição. “As campanhas que vem surgindo como, ‘Mulheres contra o Bolsonaro’, manifesto pela democracia e contra o Bolsonaro surgiram mais recentemente porque essa preocupação ficou mais clara. As pessoas se mexem na hora que vem um perigo iminente dessa vitória”.
Efetividade
Mesmo sendo muito difícil de ponderar, Segurado acredita que o manifesto possa atingir uma parte significativa do eleitorado que não tem candidato ainda, sobretudo as mulheres.
“Tem várias pesquisas que perguntam ao eleitorado a chance de seu voto mudar e o voto no Bolsonaro é uma das menores chances de mudança. É algo bastante consolidado. No entanto,temos muito indecisos e entre os indecisos uma parcela significativa são mulheres. Como a candidatura dele é retrograda no ponto de vista de proposta que se relacionam  com a mulher, deverá surtir efeito quando uma pessoa que a pessoa admire assina um manifesto desse. Por exemplo, quando a Ivete Sangalo assina um manifesto desse.”
 Na opinião de Couto, no entanto, pouca coisa deve mudar. “Claro oque o manifesto pode sensibilizar uma parte das pessoas, mas não vai sensibilizar todo mundo. Muita gente nem vai tomar consciência desse manifesto e parte daqueles que tomarem conhecimento nem vai dar bola para ele ou não vai se convencer pelos argumentos porque uma boa parte do voto do Bolsonaro não é racional. Ele se baseia no ódio.”

Fonte: CartaCapital

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