O Natal é a festa da subversão. É a chegada do deus que se fez homem, criador reduzido à condição de criatura, que decidiu se fazer conhecido em uma manjedoura de uma mulher pobre na periferia da Palestina, colônia minúscula e quase irrelevante do grande Império Romano.

Filho de pais solteiros, refugiados da violência do Estado, escondido num estábulo improvisado de maternidade, nascido em meio à sujeira e o fedor dos animais: dentre tantas escolhas possíveis, o menino Deus escolheu ficar do lado daqueles que a gente evita conviver em nosso dia a dia: os pobres e os vulneráveis. A sabedoria de Deus sempre será loucura para os homens.
Jesus não seguiu o modelo tradicional de família, rejeitou o autoritarismo dos mais fortes, elegeu uma mulher como símbolo sagrado – em uma sociedade onde mulher era vista como símbolo de pecado – e garantiu aos pobres a herança eterna do Reino dos céus.
O que o melhor dos socialistas chamaria de “justiça social”, Jesus vai mais longe e chama de “redenção”: um projeto de salvação cósmica que resgatará todo o universo, mas que Ele decidiu dar início na História humana pela posição mais miserável que esse mundo violento e cruel pode propiciar. Isso explica toda a mensagem de Jesus: quem tem algo, entrega; quem não tem, recebe mesmo sem ter.
O projeto de Jesus não combina com este mundo, assim como nós também não deveríamos combinar.
No dia de hoje, o capitalismo e fetiche pelo consumo se esforçam para silenciar a revolucionária mensagem de Jesus, mas não conseguirão. A periferia do mundo relembra que o orgulho e a vaidade dos poderosos será eternamente condenada por aquele a quem eles dizem adorar.
Maranata!
Feliz Natal.

Texto do sociólogo incrível Rafael Rodrigues da Costa