BOLSONARO SUBIU NO TELHADO

Bolsonaro é o cara errado no lugar errado. Sempre foi. Despreparado e incompetente – haja vista sua carreira no exército e no parlamento -, e burro, muito burro, portanto, suscetível à influência de figuras medíocres e mal vistas pelo “mercado”, como Paulo Guedes.

O discurso pífio de Bolsonaro na abertura do Forum de Davos, na Suíça, deixa evidente o despreparo e a estultice de toda a sua equipe. Esquecem que termos como “comércio de viés ideológico”, “Deus acima de tudo” e “América bolivariana” funcionam muito bem com os eleitores ignorantes, despolitizados, idiotizados pela fobia contra as “esquerdas” – que lhes foi sistematicamente introjetada -, mas, jamais com o “mundo civilizado” europeu, onde se conhece o conceito de ideologia e se leva a sério a laicidade do Estado.
A brevidade da fala – praticamente uma ejaculação precoce oral -, as evasivas nas respostas, o lugar comum, o vazio conceitual, soaram muito mal às vistas internacionais, que desde antes das eleições já tinham um olhar bastante crítico às ideias fascistas de Bolsonaro. É o cara errado no lugar errado também para o mercado internacional, e isso refletirá negativamente na economia do país.
O candidato predileto da figura etérea do “mercado” era Geraldo Alckmin, mas não emplacou. Restou o apoio àquele que teria total liberdade às nefastas reformas pretendidas, a principal delas é a previdenciária, que gerará vantagens às empresas em detrimento de todos nós, os beneficiários. Assim, já que não tem Alckmin, que se vá com Bolsonaro, mesmo a contragosto.
Hoje, o governo recém empossado queima pelas bordas e pelo centro. As evidências incontestáveis levam Flávio Bolsonaro a uma relação “fisiológica” com as milícias no Rio de Janeiro. A suposta ligação de Flávio com as milícias vem de longe. Os milicianos Adriano Nóbrega (ex-capitão da PM) e Ronald Pereira (major), receberam monções de honra do deputado, na ALERJ. A mãe e a esposa de Adriano estavam lotadas no gabinete do deputado até novembro, e uma delas depositou dinheiro na conta do Queiroz, o motorista dos R$ 7 milhões na conta corrente.
Antes disso, Flávio havia feito visita a milicianos na prisão, criticou a juíza Patrícia Aciolli – era conhecida como combatente às milícias do Rio de Janeiro – quando foi executada na porta de casa. Sim, o comentário que fez no tweeter foi uma ameaça velada para quem investigasse PMs. Além disso, em dezembro passado, dois PMs que trabalhavam em sua campanha foram presos por extorsão e ligação com milícias.
Flávio é o calcanhar de Aquiles do pai. Não esqueçamos do cheque de R$ 24 mil que a Michelle recebeu do Queiroz, bem como da filha do motorista-empreendedor, lotada no gabinete de Jair em Brasília, mas postando seu trabalho como personal trainer no Rio de Janeiro. Já há evidências para derrubar o governo no 22˚ dia desde sua posse. Parece que não esperarão nem que esquente a cadeira.
E os abutres já se aproximam da carcaça, haja vista a manifestação de alguns correligionários de partido ou apoiadores do governo, como o pequeno (em caráter) Kataguiri.
Há uma série de reflexões a fazermos. Quem trama pela sua queda? Por que?
Bem, ao contrário de Alckmin – que saberia precisamente porquê e para quem estaria sentado na cadeira de presidente -, Bolsonaro se comporta como um delegado de cidade pequena do interior. Acha que manda, acha que tem poder. Assim, se comporta sua prole, como filhos do mesmo delegado. Tudo podem. São as pessoas erradas no lugar errado.
Uma das instituições que declarou guerra ao clã é a Rede Globo. Por que?
Sob uma análise mais superficial pode-se dizer que é pela aproximação do clã Bolsonaro com a Record, o SBT e algumas migalhas à Band.
Será que a Rede Globo duvida da capacidade de articulação do novo governo com o Congresso Nacional para aprovar as nefastas reformas?
Talvez seja mais seguro um governo capitaneado pelo general Mourão? O general, apesar de tosco, é quase um Descartes se comparado a Bolsonaro. E Moro, o juiz aético a serviço a Globo?
Numa possível queda de Bolsonaro assumirão Mourão e Moro. Repararam que a Rede Globo aliviou para “Mourinho” (Antonio Mourão, filho do general que foi promovido no BB)? Repararam que a Rede Globo não questiona o silêncio criminoso e conivente de Moro até agora?
Não, não estou dizendo que devamos nos colocar contra a queda do clã Bolsonaro. Ao contrário, como escrevi antes, com o fascismo não se dialoga, o fascismo se combate. Quero é que pegue fogo. Já disse que torcer para o errado dar errado é o certo.
No entanto, não nos entusiasmemos com o que virá pela frente. O futuro é sombrio. E não, não é pessimismo ou torcida contra… É só a busca de uma leitura lúcida da realidade política e econômica.
Apertem muito os cintos, mas muito mesmo. O avião está em queda brusca.
E sobre o “eu avisei”, sim avisamos, mas estamos todos na mesma aeronave.
Kadu de Castro

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