Coordenadora do Comitê no Distrito Federal da Campanha Nacional pelo Direito à Educação contesta incentivo a este tipo de ensino, processo que envolve a perda da autonomia pedagógica.

O número de escolas cívico-militares no país poderá aumentar diante de uma nova proposta formulada pelo Ministério da Educação (MEC). De acordo com reportagem da Agência Brasil (EBC), a pasta deve anunciar nos próximos dias ações de ampliação no número de unidades, iniciativa em estudo na Subsecretaria de Fomento às Escolas Cívico-Militares, pasta criada recentemente.
Segundo o MEC, o modelo é justificado pelos altos índices de criminalidade no Brasil, o que revela, na análise da coordenadora do Comitê no Distrito Federal da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Catarina de Almeida Santos, uma inversão da lógica natural, privilegiando-se a segurança pública em detrimento da educação.
Atualmente, já há 120 escolas em 17 estados do Brasil administrados pela Polícia Militar. “A lógica da polícia é o controle, a força, e a lógica da escola tem que ser de liberdade, privilegiando o processo de aprendizagem”, contesta Catarina em entrevista à jornalista Marilu Cabañas, na Rádio Brasil Atual. De acordo com Catarina, o ensino militarizado impede o respeito às diferenças e é um formatador de mentes à medida que não dá conta de uma formação voltada à cultura e à cidadania.
Só em Goiás, estado que concentra a maior parte de escolas que adotam esse modelo de ensino, professores denunciaram ainda à Rádio Brasil Atual que a militarização leva também a um processo de perda da autonomia pedagógica.

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Fonte: Rede Brasil Atual