Os atiradores cometeram suicídio após o atentado; entre as vítimas, cinco eram estudantes da escola estadual Raul Brasil


Na manhã desta quarta-feira (13), cinco crianças e um funcionário de uma escola estadual Raul Brasil em Suzano, região metropolitana de São Paulo, foram mortas a tiros. Os atiradores se mataram após o atentado. Ao todo, já são dez mortes, uma delas foi atingida fora da escola, a primeira vítima em frente a uma loja situada a 500 metros da unidade. Outras duas vítimas foram feridas na escola e morreram durante o atendimento.
Segundo informações da Polícia Militar do Estado de São Paulo, dois adolescentes encapuzados entraram na escola e atiraram contra os estudantes.
De acordo com informações da imprensa, até o momento há 15 pessoas feridas, mas ainda não está claro quantas são crianças.
A escola está localizada na região central da cidade e oferece ensino fundamental e médio e um centro de línguas. Foram acionados o Corpo de Bombeiros, três equipes do Samu e dois helicópteros águia. O Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais) da Polícia Militar de São Paulo está realizando uma varredura na escola, que nesse momento está interditada, pois foram encontrados artefatos que podem ser explosivos.
Os familiares dos estudantes da unidade estadual estão sendo atendidas em um CAPS (Centros de Atenção Psicossocial) próximo a escola.
O massacre reascende o debate sobre a posse de armas defendido pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL).  Esse caso, infelizmente,não é isolado. No dia 7 de abril de 2011, 12 estudantes da Escola Municipal Tasso de Oliveira, em Realengo, no Rio de Janeiro, foram mortos por Wellington Menezes de Oliveira, de 23 anos. O assassino invadiu a escola com dois revólveres e durante 20 minutos fez vários disparos contra os alunos. O atirador se matou.
Outro caso é o da creche Gente Inocente, que fica em Janaúba, cidade do Norte de Minas Gerais. No dia 5 de outubro de 2017, o vigia Damião Soares dos Santos, de 50 anos, ateou fogo na creche matando dez pessoas, nove crianças e a professora Helley de Abreu Silva Batista, que impediu o agressor de ampliar o incêndio no local. Damião também ateou fogo nele mesmo, chegou a ser internado, mas não resistiu e morreu horas depois.
Também em outubro de 2017, um estudante de 14 anos atirou contra colegas de classe de uma escola particular de Goiânia. O crime aconteceu na manhã do dia 20 e deixou dois mortos e quatro feridos.
A reportagem do Brasil de Fato acompanha o caso e a qualquer momento divulgamos informações atualizadas sobre o ataque em Suzano.
Posse de armas
Em recente entrevista ao Brasil de Fato sobre segurança pública, a professora do Departamento de Segurança Pública da Universidade Federal Fluminense (UFF), Jacqueline Muniz, fez duras críticas à flexibilização de posse de armas no Brasil, defendida pelo governo de Jair Bolsonaro (PSL), e apontou que essa política corrobora com o aumento da violência no país.
“A proposta, tal como apresentada, não provê nem a segurança coletiva e nem a proteção individual. Na verdade, o cidadão comum com arma na mão se torna frágil diante de qualquer defesa que ele queira fazer e só se torna valente se ele tiver a prerrogativa do ataque. Ou seja, ele não está nem se protegendo, por um lado, e nem contribuindo para a segurança pública, de outro. Na verdade, a flexibilização da posse de armas é um problema de insegurança pública. Já sabemos que o acesso facilitado às armas favorece a prática de suicídio, acidentes fatais envolvendo crianças e jovens, estimula o feminicídio. Também maximiza os ataques às residências, pois agora tem o que pegar lá dentro; a arma é uma mercadoria valiosa para o crime, além de baratear o valor das armas ilegais e clandestinas, seja no preço de compra ou no aluguel dessas armas para atividades criminosas. Fora o fato de que, para a polícia, cidadãos armados aumentam a escalada de força. Toda vez que um indivíduo está armado diante da polícia, a polícia está autorizada a usar de força muito mais do que usaria para conter aquele problema”, comentou.
 E.E. Professor Raul Brasil - Créditos: Divulgação

Redação Brasil de Fato | São Paulo (SP)
Edição: Anelize Moreira