Atualizado às 16:10 horas: depois de várias reviravoltas, o habeas corpus finalmente entrou em discussão no STF, decisão que, se resultar na libertação do Lula, como corresponde às regras do Estado de Direito, representará a reparação do direito do ex-presidente de acesso à justiça.

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O novo adiamento do julgamento do habeas corpus sobre a suspeição de Sérgio Moro – que sempre foi notória e ficou ainda mais escancarada com as revelações do site The Intercept Brasil – é clara evidência de que o judiciário está tutelado pelos militares e que o Brasil vive uma ditadura judicial.
É a terceira vez que o STF adia o julgamento do pedido de habeas corpus que foi impetrado ainda em dezembro de 2018, com motivos e razões mundialmente reconhecidas.
Este novo adiamento, que ocorre depois da revelação de provas aterradoras da prática mafiosa do Moro e comparsas do Partido da Lava Jato, adiciona uma carga trágica e perversa à violência perpetrada contra Lula, uma pessoa com 73 anos de idade confinada ilegalmente no cativeiro da Lava Jato há mais de um ano.
A subtração, pelo STF, do direito humano fundamental do Lula ser libertado por habeas corpus tem o mesmo significado que a ação que o privou arbitrariamente da liberdade: é um crime continuado contra ele e um atentado continuado à Constituição.
A decisão do STF não deixa margem a dúvidas: o país foi mergulhado no abismo fascista e o Estado de Direito deu lugar a uma ditadura judicial.
É um vale-tudo contra Lula.
No dia 7 de julho de 2018, Moro abandonou as férias em Portugal para manter Lula preso, em desobediência à ordem de soltura expedida pelo desembargador Rogério Favreto [aqui].
Neste infame 25 de junho de 2019, o STF entrou em férias para não libertar Lula, em que pese a conspiração estar visceralmente exposta.

Lula

Lula estava correto quando disse, ainda em 2016, que o STF estava acovardado e não agia para deter o avanço fascista e o regime de exceção.

A realidade do STF, porém, parece ser ainda mais grave: além de acovardado e tutelado pelos militares, o STF também está acanalhado.

Por Jeferson Miola

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