Em depoimento após a abordagem truculenta, em que gritava “não consigo respirar“, entregador chorou e denunciou que seguiu sendo agredido já depois de detido; ele participava da manifestação de entregadores de aplicativos em São Paulo. Assista no final da reportagem.


O motoboy que foi agredido pela Polícia Militar de São Paulo na tarde desta terça-feira (14) afirmou que, além de ter sido sufocado durante a ação dos PMs, ainda seguiu sendo agredido depois de detido e teria até mesmo sido eletrocutado pelos agentes dentro da viatura.
Negro, o motoboy participava da manifestação de entregadores de aplicativos, que reivindicam melhores condições de trabalho, quando foi abordado por policiais, que o agrediram com uma gravata enquanto ele gritava “não consigo respirar” – frase que foi eternizada pelo estadunidense George Floyd antes de morrer, também em decorrência de uma abordagem policial violenta.
Após ser liberado pela corporação, o entregador gravou um vídeo em que revela que foi ameaçado de morte pelos policiais a caminho da delegacia e que recebeu choques elétricos. “Mais de 6 policiais me agrediram, me bateram, tacaram spray na minha cara, eu já dentro do camburão me eletrocutaram. Ela (a policial) queria me tratar como prêmio. Queria tirar foto para se gabar que tinha me prendido, eu não deixei, ela falou que ia me matar, um monte de coisa. Olha meu estado”, afirma o entregador, mostrando as marcas da agressão.
Em outro vídeo, o motoboy chora ao falar da agressão que sofreu. “Eu não tenho estrutura com o que fizeram comigo hoje. Apreenderam minha moto. Não tenho nem o direito de me manifestar mais, e ta aí ó, o abuso da polícia. Eu parado e me agrediram, me ameaçaram de morte e tudo mais”.
As imagens da agressão serão analisadas pela Corregedoria da Polícia Militar. Em nota, a secretaria de Segurança Pública de São Paulo informou que o motoboy foi abordado por estar com a placa do veículo encoberta. “Os PMs abordaram. O motociclista ofereceu resistência, sendo contido”, informou o órgão, que disse ainda que o entregador estava com a CNH vencida.
O caso foi registrado no 14º DP, onde o motoboy teve que assinar um termo circunstanciado de resistência. A moto foi apreendida e o entregador liberado.
Fórum entrou em contato com a secretaria de Segurança Pública de São Paulo para obter um posicionamento do órgão com relação às denúncias do entregador de que foi agredido após ser detido, e aguarda retorno.

Assista aos depoimentos do motoboy.

Fonte:
Ivan Longo