Aí vai uma informação interessante:

Quinze estados e o DF aderiram ao programa das Escolas Cívico-Militares, carro-chefe do MEC no governo Bolsonaro, atraídos principalmente pela promessa de que cada escola desse tipo receberia em torno de um milhão de reais por ano, que poderiam ser utilizados em reformas, compra de material e equipamentos, etc.
Porém, respondendo ao questionamento feito, via Lei da Transparência, por uma agência independente de fiscalização dos gastos e políticas públicas, o MEC foi obrigado a detalhar a aplicação desses recursos, informando que a maior parte deles será destinada para o pagamento dos militares que atuarão nessas escolas.
Pelo projeto, cada escola de 1000 alunos receberá 18 oficiais da reserva para atuarem como docentes e eles receberão um adicional de 30% sobre seus vencimentos e mais décimo-terceiro, férias, transporte e alimentação.
Levando-se em consideração que a maior parte dos oficiais participantes, provavelmente, serão capitães e majores – cujos soldos-base giram em torno de 9200 e 11200 reais, respectivamente, sem contar os adicionais e gratificações, que são incorporados aos vencimentos e mantidos após a passagem para a reserva remunerada -, podemos fazer uma conta simples e chegar aos seguintes números (colocados bem para baixo):
cada “oficial-professor” receberá, na média, em torno de (repetindo, jogando os números para baixo) 3 mil reais por mês – salário superior ao da maioria absoluta da redes estaduais do país – e custará aos cofres públicos cerca de 45 mil reais por ano (fórmula de cálculo: 3 mil × 13 + 1 mil de 1/3 de férias + 5 mil anuais de transporte e refeição). Multiplicado por 18, temos aí um gasto de 810 mil por escola, só em pagamento dos “militares-docentes”, restando somente, num cálculo otimista, 190 mil para aplicar na própria escola – cerca de 15.800 reais por mês -, o que para uma unidade escolar com mil alunos é muito pouco.
Conclusão: o principal projeto para a educação do governo Bolsonaro acabará sendo, na prática, um “programa de transferência de renda” para militares da reserva.
Ah, feliz Dia dos Professores.
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