Sempre que arrumo meus livros na estante da Maçonaria, meus olhos pousam nos três volumes de ” O Diário de um  Construtor do Templo”, escrito pelo nosso Ir.: Zé Rodrix.

E sempre meu pensamento volta para a época que li o livro. Aliás sempre o releio e não contenho a emoção em muitos trechos. Nesta leitura,  percebo quantos mistérios na Maçonaria ainda nos resta descobrir.
Hoje faz dez anos que o Ir.:  José Rodrigues Trindade, V.’. M.’. da sua loja, partiu para o Oriente Eterno, exatamente no dia 22 de maio de 2009.
Aqui neste despretensioso texto, vou escrever um pouco do que foi a vida maçônica do Ir.´. Zé Rodrix, nascido na cidade de Rio de Janeiro em 25 de novembro de 1947.
Foi um compositor, multi-instrumentista, cantor, publicitário e escritor maçônico brasileiro.
Feliz daquele que desfrutou sua arte e mais ainda aqueles  que tiveram a enorme felicidade de conviver com ele neste mundo terreno.
Em 1991 foi iniciado na Augusta e Respeitável Loja Simbólica “Apóstolos do Templo” nº 241, Oriente de São Paulo,  onde foi Aprendiz Maçom, elevado a Companheiro Maçom um ano depois. Foi exaltado a Mestre Maçom pelos seus altos conhecimentos adquiridos sobre a Ordem. Pertenceu à Comissão de Comunicação na gestão do Grão Mestre Salim Zugaib. No ano 2000 instalado como Venerável Mestre de sua Loja.
A paixão pela Arte Real e a maçonaria mística tomou conta do coração do Ir.: Zé Rodrix e os mistérios do Templo de Salomão passou a fazer parte de todos os minutos de sua vida. Para ele, assim como em todo o mundo a maçonaria  é praticada através de rituais secretos que englobam símbolos, alegorias e lendas. A maior parte delas tiradas da história real da Antiguidade.
E foi través destas histórias e lendas que ele estruturou sua maneira maçônica de pensar.
Queria uma história que introduzisse valores individuais para formar novos Homens Maçônicos.
Queria uma escola de pensamento antiga  enraizada na ética, consciência e tolerância.
Queria uma história para que todos os Filhos da Viúva entendessem melhor os mistérios e segredos da maçonaria e ao mesmo tempo uma história que fizesse qualquer profano se apaixonar pelo romance e fosse levado as lágrimas no final de seus livros.
A história de Joabem, de Zorobabel e Esquim de Floyrac já viviam na mente daquele futuro escritor maçônico, o enredo já fazia parte de sua vida, da mesma forma que a sua sombra  estaria sempre presente pelos caminhos que iria trilhar dai para frente.
E foi assim que ele lançou seus livros que foi intitulado como: A TRILOGIA DO TEMPLO.
Um dos ritos mais praticados na Maçonaria mundial, o Rito Escocês Antigo e Aceito, faz uso, em seus graus simbólicos e superiores, de uma série de histórias reais que tem como centro a construção do Templo de Salomão em Jerusalém, o primeiro Templo de um Deus Único, que exigiu para seu erguimento toneladas de pedras esculpidas cuidadosamente, para ser montado sem ruído nem uso de ferramentas.
 
É nesta construção que surge a primeira lenda maçônica: a do arquiteto do Templo, um mestiço fenício-hebreu de nome Hiram-Abiff, que representa para os maçons não apenas o Mestre Perfeito, mas, principalmente, aquele Homem Novo que todos buscamos ser.
É a historia deste Templo e deste homem que formam o panorama de JOHABEN: DIARIO DE UM CONSTRUTOR DO TEMPLO, no qual os fatos históricos e lendários da vida de Hiram-Abiff e de Salomão são revelados como uma viagem para dentro de cada consciência, num formato de romance  que cria o paralelo entre o erguimento do Templo de Jerusalém e o Templo Interior de cada um de nós, através do trabalho na pedreira de nosso próprio espírito.
 Nele também se revela o início ideal da sociedade dos pedreiros, os mais antigos artesãos do mundo, no seio dos quais, muitos séculos depois, nasceu a Maçonaria moderna, tal como a conhecemos hoje, e que revela gradativamente estes fatos nos graus de 1º a 14º.

O segundo volume da TRILOGIA, que se chama ZOROBABEL: RECONSTRUINDO O TEMPLO, narra a vida de um príncipe hebreu que realmente existiu e foi o responsável não apenas pelo Segundo Êxodo, aquele que trouxe os judeus escravizados na Babilônia de Nabucodonosor de volta para sua terra natal, o reino de Israel, mas também pela reconstrução do Templo de Salomão, derrubado e desmontado pelos babilônios.
 
Lidando com os rituais dos graus de 15º a 20º, ZOROBABEL: RECONSTRUINDO O TEMPLO mostra os esforços para que Jerusalém novamente se tornasse a capital dos hebreus, revelando os primórdios do terrorismo como arma de combate, esclarecendo o papel de Cyro e Dario na sobrevivência de Jerusalém, além de revelar o estabelecimento cada vez mais sólido da sociedade dos pedreiros, já agora chamados de Filhos de Salomão, e dos valores que a Maçonaria deles herdou, permitindo aos maçons modernos a recriação de seu próprio espírito através do trabalho incessante de crescimento e transformação que a Ordem lhes propicia.

No terceiro volume damos um salto de muitos anos, indo aos séculos XIII-XIV para revelar a verdadeira ligação entre a Maçonaria e a Ordem dos Cavaleiros Templários, tão explorada por diversos autores, mas que nunca se preocuparam com a verdade dos fatos, por desconhecer as verdades ciosamente guardadas pela Maçonaria, de quem os Templários foram associados durante toda a sua existência de mais de dois séculos.
 
As inverdades sobre esta união são de dois tipos: ou a negação pura e simples dela, através de preconceitos historiográficos , ou a aceitação delirante, através de processos “esquisotéricos” de misticismo sem nenhuma solidez factual. ESQUIN DE FLOYRAC: O FIM DO TEMPLO, narra de maneira profundamente reveladora tanto a crescente união entre Templários e pedreiros, já prontos para tornar-se a Ordem Maçônica como hoje a conhecemos, como também o papel desta ligação nos momentos que marcaram a destruição da Ordem pela Igreja de Roma e o Reinado de França.
 
O mais curioso, contudo, é ser narrado pelo traidor da Ordem Templária, um cavaleiro que foi o Judas de seus irmãos e que, de maneira rigorosamente factual, revela o drama de sua tarefa inglória mas essencial para a sobrevivência do Templarismo na Maçonaria, estabelecendo os fatos que dela fazem parte nos rituais que vão do 28º ao 33º grau.
 
A TRILOGIA DO TEMPLO, escrita pelo Irmão Zé Rodrix, tem sido considerada obra essencial para os maçons brasileiros, pelo material que disponibiliza e revela a todos que desejem não apenas entender a Ordem maçônica mas principalmente estabelecer para si mesmos um caminho de busca e crescimento.
 
Baseados em profunda pesquisa histórica e comportamental, disponibilizam para os leitores não só os fatos da vida cotidiana nos períodos em que se passam, mas principalmente os pensamentos e atitudes dos homens das respectivas épocas, todos personagens históricos que têm finalmente reveladas as suas motivações e anseios, tal como percebidas e descobertas pelo autor, um escritor profundamente cioso de seu trabalho de escritor e pesquisador maçônico.

Como Maçom, lutou para que a Ordem voltasse a ser modelo respeitando seus fundamentos, fez pela Maçonaria durante 10 anos o que muitos não fizeram por séculos. Ou desfizeram, tornando a Maçonaria forma de poder e disputa em vez de uma Ordem de justiça, ética e fraternidade.

Dia 22 de maio de 2009,  o Grande Arquiteto do Universo  o acolheu com a decência e dignidade com que ele viveu, reservando-lhe como moradia uma “Casa no Campo”.

Era um dia chuvoso, parecia que o céu chorava quando suas cinzas foram lançadas na Baía de São Vicente. Que suas cinzas se espalhe pelos Oceanos de todo o mundo, banhando os continentes com sua presença e sabedoria.

Você  não nos pertence mais, agora você faz  faz parte do universo misterioso do G.´. A.´. D.´. U.´.


Ir.´. Didjo Netuno – M.’. I.’., G.´. 33 do REAA e KT do Rito de York

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