Até hoje, nada de condenável se pôde provar quanto ao princípio da religiosidade maçônica em relação ao catolicismo.

Através das cláusulas imutáveis dos seus Landmarks, cuja fonte inspiradora é a Bíblia Sagrada (provérbio 22:28), observa-se que a maçonaria universal se limita a proclamar apenas a prevalência do espírito sobre a matéria e a crença em Deus como criador do Universo. Daí por diante deixa de se envolver com o tema, excluindo-o das suas atividades por entender que a prática religiosa é algo que diz respeito, não a si, mas aos seus membros, como questão de foro íntimo e de livre arbítrio sobre a qual não lhe cabe exercer qualquer domínio, interferir, orientar, ou dar sugestões.

Para uma melhor compreensão do tema em debate, recomenda-se que leia também as três primeiras publicações, da qual esta é uma continuação

– IGREJA CATÓLICA CONTINUA TENDO AVERSÃO À MAÇONARIA – PARTE I

– A MAÇONARIA INCOMPREENDIDA, APESAR DE JUSTA E PERFEITA – PARTE II

– Segundo o Código de Direito Canônico, quem se tornar Maçom, é excomungado automaticamente – Parte 3


Todavia, a sua enunciada posição quanto à fé religiosa do Maçom é uma postura que pode não ser facilmente compreensível para quem não faça parte como membro ativo no cenário maçônico. Mas mostrar-se neutra, na condição de lenidade perante os seus iniciados, mantendo-se distante deste assunto é, primordialmente:
  1. para criar um clima de descontração necessário no ambiente das reuniões;
  2. para evitar conflitos, uma vez que os seus quadros são compostos por homens de tendências religiosas variadas;
  3. porque os seus objetivos não são os mesmos das entidades religiosas. Eles são outros bem diferentes e para alcançá-los ela precisa da união fraternal entre todos os seus membros.
Isto só é possível por que a maçonaria mantém na prática um dos seus mais importantes princípios, o da “Liberdade”. Ao proclamá-lo, seu iniciado fica à vontade para decidir se quer continuar como fiel da fé religiosa que vinha praticando antes de se tornar Maçom ou se prefere apenas continuar acreditando em Deus. Mas, ressalte-se que apesar deste livre arbítrio não há Maçom deísta na maçonaria brasileira, ressalvadas raríssimas excepções e isso ocorre não por exigência da maçonaria, nem pelo facto de alguém católico, mas não religioso, ter-se tornado um dos seus membros, e sim, por uma questão de natureza cultural impregnada nos costumes de uma nação onde milhões de pessoas afirmam a sua fé no catolicismo, mas não sabem fazer o sinal da cruz, não rezam e até nem se lembram da última vez que foram à Igreja.
Tem-se então que a imputação feita pela Igreja Católica, de ser a maçonaria uma associação deísta é coisa do passado e nem deve ser lembrada pelos danos que causou aos maçons. A maçonaria, não sendo religião, não se dedica à prática de qualquer culto, não induz, nem obriga nenhum Maçom a ser deísta. Como deísta, entende-se a pessoa física que crê em Deus sem aceitar religião nem culto. A Maçonaria não passa esta orientação para os seus filiados, tendo em vista que, fazer parte desta ou daquela religião, nada diminui, em termos de resultado, no desenvolvimento das suas atividades.
Pelo exposto, não se tem como compreender por que tão repulsiva incompreensão, cuja natureza preconceituosa e discriminatória tem sido nefasta aos maçons, não deixa de fazer parte das leis eclesiásticas, aquelas reguladoras das relações entre a Igreja Católica, os seus representantes e os cristãos nela baptizados ou por ela recebidos, que gozem de suficiente uso da razão e tenham completado 7 (sete) anos de idade. Enfim, a sua observância e respeito cabem a todos aqueles para os quais ditas leis foram feitas.
Por não existir outra explicação, admite-se que a irremovível e irretratável posição ofensiva do alto clero do catolicismo frente à maçonaria é mantida por mero dever do ofício religioso, redundando os efeitos desse comportamento em afronta à justiça, já que o alvo das acusações é uma instituição de fins lícitos e humanitários, voltada à prática do bem, que não nega a existência de Deus e do espírito, que não é religião, que não é seita, que abomina o preconceito, o racismo, a intolerância e que tem por fim o alcance da IGUALDADE, da LIBERDADE e da FRATERNIDADE entre todos os seres humanos, sem carácter competitivo com quem quer que seja.
Nem ao menos é compreensível que líderes espirituais de prestigioso respeito e de tão destacadas posições hierárquicas dentro do catolicismo percam os seus preciosos tempos prendendo-se ao que nada significa e disso se valham para negarem os maçons como filhos do mesmo Deus, sem atentarem para o facto de que, assim se comportando, a infalibilidade da própria religião se exporá a iminente risco.
Isto porque a prática da intolerância, da rejeição, da discriminação, da perseguição de qualquer dos nossos semelhantes, caracteriza o desprezo, o desamor, com repercussão ainda mais negativa se qualquer dessas ações partir de um líder espiritual, figura na qual repousa o símbolo do bem e de onde se espera irradiar, entre outras virtudes, a do amor ao próximo, sentimento que só se admite como verdadeiro se for universal, sem distinção entre as pessoas, sem levar em conta de onde estas vieram, quem são, o credo religioso que praticam e o que fazem.

Anestor Porfírio da Silva M∴ I∴ – A.R.L.S. Adelino Ferreira Machado – Or. de HIDROLÂNDIA – GOIÁS. Conselheiro do Grande Oriente do Estado de Goiás


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– IGREJA CATÓLICA CONTINUA TENDO AVERSÃO À MAÇONARIA – PARTE I

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