Na Peça de n. 6, onde continuamos o estudo sobre Maçonaria e Antimaçonaria: Uma análise da “História secreta do Brasil” de Gustavo Barroso, o autor Luiz Mário Ferreira Costa traz informações importantes de como e quando começou o período de tensão e lutas quase incessantes entre a Igreja Católica e a Ordem Maçônica.


ATENÇÃO: Para entender melhor, é importante que o leitor conheça as outras peças da pesquisa, que já publicamos aqui no site:

MAÇONARIA E ANTIMAÇONARIA: As Teorias Conspiratórias – Primeira Peça
A Igreja Católica foi o principal agente difusor do antimaçonismo – Segunda Peça
ARQUEOLOGIA DAS NARRATIVAS ANTIMAÇÔNICAS – As Origens – Terceira Peça
Por que o SEGREDO SOBRE A PALAVRA DO MAÇOM continuou e continua a despertar o interesse dos não-maçons? – Quarta Peça
Como a MAÇONARIA infiltrou-se profundamente na Igreja, chegando a ter, em alguns casos, as chaves do sacrário? – Quinta Peça

Como já foi demonstrado, na Idade Média a relação entre as Lojas e a Igreja Católica era relativamente amistosa. Os maçons monopolizavam os segredos da arte de construir as grandes catedrais góticas, castelos, pontes, monumentos dentre outros… A prestação de seus serviços à Igreja Católica e aos reis rendeu-lhes privilégios, como: a livre circulação, o não pagamento de impostos e a não servidão. Talvez seja por isso que a própria denominação de freemason ou Pedreiro-Livres fosse, desde então, a forma comum de identificar aqueles especialistas da construção. (STEVENSON, David. (op. cit), p. 28.)
Nas palavras de alguns autores católicos, as finalidades e pretensões maçônicas ultrapassavam as barreiras do comprometimento profissional. Os grêmios ou Lojas do que se conhece por Maçonaria operativa possuía também uma feição “religiosa”. Entretanto, isso não significa dizer que a instituição fosse uma religião propriamente dita. Ao contrário, o que pode ser observado são apenas algumas características assemelhadas expressas, sobretudo, na adoção de símbolos cristãos e na estreita relação que mantiveram com o clero. (HORTAL, Jesus. (op. cit), p. 32.)
Não obstante, a atitude modernizadora e pluralista da Maçonaria (De agora em diante quando utilizarmos a palavra Maçonaria estaremos nos referindo a Maçonaria moderna ou especulativa) foi encarada com muita desconfiança pela Igreja Católica. O desconhecimento do que era a Ordem, o segredo das reuniões e os juramentos impostos aos seus membros, levaram a uma desconfiança generalizada por parte das autoridades da grande maioria dos Estados europeus. Isso veio a se confirmar quando surgiu a primeira condenação dos maçons, no ano de 1738, com a bula In Eminenti Apostolatus Specula do papa Clemente XII. Para Cottier, começou naquele ano um período de tensão e lutas quase incessantes entre as duas instituições. (COTTIER, Georges. (op. cit), p. 28.)
Entretanto, é preciso ressaltar que os papas não foram os primeiros a condenarem e perseguirem a Maçonaria. Como demonstrou Benimeli, por exemplo, em 14 de setembro de 1737 o Cardeal Fleury (1° ministro de Luis XV) proibiu toda reunião secreta, sobretudo a chamada freymaçons. (FERRER BENIMELI, J. A., CAPRILE, G. & ALBERTON, V. (op. cit.), p. 24.)

Quando em 1738 condenou a Maçonaria, o papa Clemente XII (ilustração acima) reivindicava com a máxima autoridade – além da Carta de Plínio Cecílio – as disposições do direito romano contra os collegia illicita. Nestes termos da lei, as associações formadas sem consenso da autoridade pública eram consideradas ilícitas. A ilicitude, do ponto de vista jurídico, de tais associações acabaram por contribuir para que a Maçonaria, fosse considerada ilegal não somente sob aspecto jurídico-político, mas também moral. (Idem, p.30.)
Do começo ao fim, Clemente XII nada mais fez do que seguir o exemplo dos outros governos molestados e pouco tranquilos com os quais se cercava a maçonaria. Os governos protestantes também proibiram a Maçonaria, por ex: Holanda, Hamburgo, Suécia e Genebra. Católicos e Protestantes não eram simpáticos à situação de clandestinidade que os impedia de estar a par de que se estaria podendo maquinar naquelas reuniões. (Idem, p.27.)

CONTINUAREMOS…

Anúncios