REPÚDIO  À  IGNORÂNCIA  E  PELA  LIVRE  EXPRESSÃO  DE IDEIAS,  PENSAMENTOS  E  MANIFESTAÇÕES   ARTÍSTICAS

Para quem tem princípios cristãos é muito difícil concordar com o uso da violência de qualquer espécie, mas mais especialmente aquela que é premeditada e fruto da intolerância.
É compreensível que um fundamentalista cristão aja contra os fundamentos de sua religião? Certamente não! É admissível que alguém que professe os cânones do cristianismo recorra à agressão no pressuposto de fazer valer os ensinamentos dos evangelhos? Duvidamos!
Verdadeiros cristãos não odeiam! Como tampouco odeiam os verdadeiros islamitas, candomblecistas, israelitas, budistas, masdaístas, hinduístas, umbandistas ou cultuadores de qualquer dos grandes credos que norteiam a humanidade.

O ódio, sabemos todos, contamina a razão, oblitera os demais sentimentos e instaura a selvageria.

Então, o que faz com que, num país tão ecumênico como o nosso, onde a pluralidade étnica e religiosa consolidou a convivência respeitosa e a admiração recíproca entre os praticantes das diversas religiões, ocorra um ato como o perpetrado na madrugada da última terça-feira contra o edifício onde funciona a produtora do grupo humorístico Porta dos Fundos, no Rio de Janeiro?
O que leva alguém a querer calar – pois é a essa conclusão que se chega – uma fonte tão grande de criatividade e refinamento artístico como aquela equipe de comediantes inteligentes, irreverentes e mordazes, atacando-a com artefatos incendiários? Ódio e insensatez, é claro!
Descarte-se, portanto, a fé religiosa, pois os que se propõem a realizar um ato desses não têm fé nem num Deus nem em suas criaturas. O que se pode supor é que sejam movidos por ódio político, como parece que foram os do atentado contra o Charlie Hebdo, em Paris, há cerca de cinco anos.
O Brasil tem um histórico razoável de ações como essa. Na década de 1930, O Malho, revista que, na linha do Porta, satirizava a política e os costumes, foi empastelado por adeptos do governo vigente e vários jornais sofreram o mesmo tipo de agressão. No começo dos anos 1980, durante a ditadura militar, dezenas de bancas de jornais foram incendiadas e muitos jornais críticos ao regime e seus articulistas foram ameaçados.
O lamentável ato contra o Porta dos Fundos não é, então, infelizmente, inédito. Mas é uma prova irrefutável de que a ignorância e a estupidez ainda têm lugar nesta sociedade do início do século XXI e que, se não tratarmos de impedir sua expansão, elas poderão estender suas odientas garras a outros setores da vida nacional. A última campanha eleitoral deu mostras disso!
Nós, Maçons Progressistas do Brasil – MPB, coletivo integrado por maçons espalhados por todo o território nacional e cujo objetivo é a discussão interna de soluções para os problemas que afligem a nossa pátria, vimos a público manifestar nosso repúdio por qualquer tipo de violência contra a livre expressão de ideias, pensamentos e manifestações artísticas, porque consideramos estas últimas as colunas-mestras da democracia de qualquer nação. Visamos tornar feliz a humanidade, buscando a prevalência do amor, o aperfeiçoamento dos costumes, a tolerância, a igualdade e o respeito à autoridade e à crença de cada um. E, assim sendo, não podemos condescender com o uso de recursos criminosos contra o direito do Porta dos Fundos mostrar sua arte e levar alegria a milhões de brasileiros!
É por isso que, através desta nota, exigimos das autoridades competentes presteza e agilidade no esclarecimento do episódio, de modo a erradicar na fonte o ódio que ele encerra.

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