Lava Jato fez operações contra filha de um investigado para forçar pai a se entregar

Novo capítulo da Vaza Jato aponta que o Ministério Público Federal pediu duas vezes ao então juiz Sergio Moro operações contra a filha do empresário luso-brasileiro Raul Schmidt (no destaque na foto abaixo) como forma de forçá-lo a se entregar. Moro inicialmente resistiu mas acabou concordando. A tática é similar à usada por sequestradores.

“O MPF apelou a Moro mirando na filha do investigado: queria que o passaporte de Nathalie fosse cassado e que ela fosse proibida de sair do Brasil. O plano era forçá-lo a se entregar para evitar mais pressão sobre a filha”, destacam os jornalistas Rafael Neves e Leandro Demori.
Em 3 de fevereiro de 2018, Raul foi preso em Portugal. Em 5 de fevereiro, “o magistrado não viu ‘causa suficiente’ para a ação mais drástica pedida pelo MPF contra Nathalie — proibi-la de deixar o país”, diz a matéria.
Segundo o Intercept, “o juiz escreveu que não havia comprovação suficiente de culpa e que o nome dela era inédito nas investigações até ali” -em fevereiro.
Sergio Moro, Raul Schmidt e Deltan Dallagnol
Sergio Moro, Raul Schmidt e Deltan Dallagnol (Foto: Reuters | ALEP | Reprodução)
Mas em maio, apenas três meses depois, após novo fracasso em buscas por Schmidt em Portugal, a Lava Jato reapresentou seu pedido a Moro. Dessa vez, sem que houvesse qualquer suspeita adicional contra ela, o então juiz e agora ministro mudou de ideia e deu sinal verde ao desejo da Lava Jato, que incluía uma varredura na casa, nas comunicações e nas contas de Nathalie.
“No dia seguinte, os policiais cumpriram o mandado de busca e apreensão na casa da filha do investigado, no Rio de Janeiro. A defesa alegou que ela foi coagida pela Polícia Federal, na ocasião, a dizer onde o pai estava. O plano, no entanto, não teve tempo de ser testado. No mesmo dia, Raul Schmidt conseguiu extinguir seu processo de extradição em Portugal. A Lava Jato tenta até hoje trazê-lo ao Brasil”, relata o Intercept.

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