Para denominações neopentecostais, “caos” promovido por Bolsonaro e disseminação do coronavírus seriam indícios do fim dos tempos

Para a teóloga e doutora em Antropologia Social Jaqueline Teixeira, professora da Faculdade de Educação da USP, o apoio dos evangélicos ao presidente Jair Bolsonaro está em disputa durante a pandemia de coronavírus. Para determinados segmentos neopentecostais, a disseminação da doença seria uma experiência “apocalíptica”, que anunciaria o fim dos tempos. O mesmo vale para o atual governo, segundo ela, que representa o “caos”.

Ela lembra que o segmento evangélico é muito diverso e segmentado. Enquanto algumas lideranças reagiram ao fechamento das igrejas e continuam defendendo o fim da quarentena em prol da economia, outras denominações apoiaram, desde o início, as políticas de isolamento social.

Várias dessas lideranças que são contra o isolamento e apoiam ferrenhamente Bolsonaro pertencem ao segmento neopentecostal. Estão apostando num discurso apocalíptico. Com a pandemia, de alguma maneira, estaríamos passando pela experiência teológica do final dos tempos. Nesse sentido, Bolsonaro se encaixa nessa dinâmica apocalíptica. É um governo de muito caos, desconfiança e inconsistência, que responde a esse anseio teológico”, afirmou aos jornalistas Marilu Cabañas e Glauco Faria, para o Jornal Brasil Atual, nesta quarta-feira (22).

Essa visão é respaldada, por exemplo, pela Igreja Universal do Reino de Deus, que controla a TV Record. Jaqueline destaca que a emissora voltou a reprisar a novela Apocalipse, justamente durante a pandemia, para reforçar tal concepção escatológica da religião.

Por conta dessas visões, ela diz que as lideranças religiosas podem não sofrer com eventual perda de apoio, caso as mortes pela pandemia continuem crescendo. Contudo, ela diz que o apoio dos evangélicos a Bolsonaro já não é mais o menos, ainda que continue significativo. Pesquisa Datafolha publicada há duas semanas aponta que 41% dos fiéis de igrejas evangélicas aprovam o trabalho de Bolsonaro em meio à crise do coronavírus.

Por Redação RBA