Deus, sei que sou um ser criado por Ti e mereço ser amado – ou pelo menos respeitado – pelas pessoas; mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje o meu dono me levou a um passeio de carro. Quando chegamos a uma praça, tirou minha coleira, fez-me descer do carro e, virando-me as costas, foi embora e sequer se despediu.
Corri atrás dele, tentei segui-lo, mas o carro era mais rápido e não pude alcançá-lo; até que caí exausto no asfalto. Ainda não entendi e até hoje me pergunto: por que o meu dono me abandonou ?
Eu sempre o recebi alegre e abanando o rabo, fazia festa, lambia seus pés, apoiava as patas sobre seus joelhos e encostava minha cabeça neles; tudo isso num sentimento puro, gratuito e verdadeiro de amor e fidelidade. Eu, em instinto protetor, sempre latia forte para defendê-lo e afastar estranhos do portão.
Quando eu era novinho, brincava com as crianças da casa; todas elas me adoravam. Sinto saudades daquele tempo. Será que ainda se lembram de mim ? Eu era tão feliz; era a alegria da casa; corria atrás dos gatos no quintal, mas, no fundo, só queria me divertir, e não fazer mal aos bichinhos.
Agora estou faminto. Eu queria tanto comer aquela ração que colocavam na minha tigelinha. Ou qualquer outra coisa para matar a fome. Não tenho água para beber, sinto muita sede; até as minhas forças estão acabando. Vivo perambulando pelas ruas, arquejando, procurando comida e água.
Quando chove, procuro um cantinho onde eu possa me abrigar, mas muitas vezes sou chutado. As pessoas olham-me com indiferença, parecem não gostar muito de mim. Não sei por que; nunca fiz mal a ninguém.
Felizmente consegui encontrar um lugar para passar essa noite. Mas está muito frio e o chão todo molhado. Já não tenho pelos para me aquecer, acho que estou doente; creio que esses dias vou me encontrar Contigo. Quem sabe não exista um Reino dos Céus para animais ? Se existir, meu sofrimento vai terminar.

Peço a Deus por todos os cãezinhos e gatinhos abandonados nas ruas, nos parques, nas praças, nos mercados, nas BRs.

Mande-lhes pessoas que sintam compaixão desses animaizinhos, elas serão para eles o que os anjos são para nós. Sozinhos, eles viverão poucos meses: adoecerão, ninguém vai cuidar deles, serão atropelados – por acidente ou por maldade -, passarão fome, sede, calor e frio, sofrerão maus tratos de pessoas desalmadas.
Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas bondosas e abençoadas, que ainda há. Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado. Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.
Elimine a dor das doenças e dos maus tratos, provocados pela ignorância e maldade do ser humano. Retire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos humanas a sede pelo sangue.
E principalmente: alivie a tristeza dos que, como eu, foram abandonados; dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais duro de suportar.
Amém.

Extraído das Redes Sociais

Allano Fabrício Vidal Padre
@allanofabricio

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