Indubitavelmente, a conclusão a que se chega quanto ao comportamento dos altos dignitários do catolicismo, é a da negação ao princípio criador de todas as coisas, que é Deus, ante a recusa de aceitação dos maçons como se estes não fossem filhos do mesmo Deus.


Para uma melhor compreensão do tema em debate, recomenda-se que leia também as duas primeiras publicações, da qual esta é uma continuação
– IGREJA CATÓLICA CONTINUA TENDO AVERSÃO À MAÇONARIA – Parte I
– A maçonaria incompreendida, apesar de justa e perfeita – Parte II

Se alguma dúvida a respeito da maçonaria ainda atormenta as mentes dos dirigentes do catolicismo, só a verdade definitiva será capaz de tranquilizá-las. E isto dar-se-á, mais cedo ou mais tarde, para que as névoas da cegueira sejam dissipadas, como aconteceu no passado quando importantes leis naturais do Universo foram reveladas por cientistas. Muitas dessas descobertas fizeram surgir novos conceitos e opiniões, sacudindo a Igreja Católica e levando-a a alterar certos princípios da sua doutrina.
Relembremos um caso apenas, o das afirmações de Nicolau Copérnico e Galileu Galilei, as quais nos deram a conhecer que o universo era infinito, que não era o sol que girava em torno da terra e que o nosso planeta também não era quadrado, nem uma imensa e única planície como até então se supunha. Face àquela incontestável realidade que afrontou os princípios fundamentais do catolicismo, os dois vultos acima, após serem denunciados como hereges, foram julgados e condenados pela Santa Inquisição porque, pelos seus enunciados, o Céu e o Inferno não poderiam encontrar-se nos lugares onde os mencionados princípios religiosos os concebiam.
Hoje em dia, com o fim da Santa Inquisição, que era temível pelos seus efeitos, adota-se a excomunhão como punição extrema a quem afrontar a doutrina da Igreja Católica. Segundo o Código de Direito Canônico, quem se tornar Maçom, é excomungado automaticamente, mantida a este, a impossibilidade de acesso aos sacramentos religiosos e parece que, pelo menos por enquanto, a cúpula da mencionada religião não está pensando em desistir de tão grotesca bobagem.
Houve ainda outros pontos em que a Igreja se debateu insistentemente contra a maçonaria. Num deles ela afirmava, de modo intuitivo, talvez, por ter concebido algo imaginário como real, portanto, sem anteparo da verdade, que a Ordem Maçônica Universal se dividia em duas linhas sendo uma a Anglo-saxônica, que abrigava no seu seio corrente liberal, ateia e anticlerical e a outra, a Maçonaria, mais conservadora, deísta, de tendência católica.
Esta afirmativa quanto à existência de corrente deísta, ateia e anticlerical dentro da Instituição foi fruto de interpretação aleatória, de miragem e, por isso mesmo, não teve sentido e perdeu credibilidade quando foi comparada com o comportamento social dos maçons em que nada ficou comprovado em relação a tais acusações. O que de mal existiu não foi a maçonaria Anglo-saxônica, nem a Franco-Maçonaria, mas o ledo equívoco de a Igreja Católica ter encarado a Ordem Maçônica Universal, ora como instituição ateia ou deísta ou anticlerical, ora como religião ou seita religiosa.
Também é indubitável que, nos dois sentidos acima, se o intento não era proposital, a maçonaria foi novamente mal interpretada e esse fato levou a Igreja Católica a incorrer em mais um erro ao construir os seus argumentos a partir de desprezíveis futilidades, o que se pode constatar mediante comparação de tais acusações com o que sempre constou dos princípios gerais e postulados universais da maçonaria, onde ela se define como uma instituição essencialmente iniciática, filosófica, filantrópica, progressista e evolucionista não se vislumbrando neles qualquer tendência maçônica, por menor que seja, ao ateísmo, ao deísmo ou ao anticlericalismo.
De igual modo, até hoje, nada de condenável se pôde provar quanto ao princípio da religiosidade maçônica em relação ao catolicismo. Através das cláusulas imutáveis dos seus Landmarks, cuja fonte inspiradora é a Bíblia Sagrada (provérbio 22:28), observa-se que a maçonaria universal se limita a proclamar apenas a prevalência do espírito sobre a matéria e a crença em Deus como criador do Universo. Daí por diante deixa de se envolver com o tema, excluindo-o das suas atividades por entender que a prática religiosa é algo que diz respeito, não a si, mas aos seus membros, como questão de foro íntimo e de livre arbítrio sobre a qual não lhe cabe exercer qualquer domínio, interferir, orientar, ou dar sugestões.

Continua…

Anestor Porfírio da Silva M∴ I∴ – A.R.L.S. Adelino Ferreira Machado – Or. de HIDROLÂNDIA – GOIÁS. Conselheiro do Grande Oriente do Estado de Goiás

Anúncios