Em recente manifestação ao STF na ADPF [Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental] promovida pelo PDT para impedir que o ministro Sérgio Moro destruísse as provas sobre a suposta invasão hacker, Moro alega “mal-entendido” e agora nega diálogo comunicando a destruição de provas.

Ao STF, Moro se explicou que “A afirmação de que este ministro teria informado a uma das vítimas que o ‘material obtido vai ser descartado’ é apenas um mal-entendido quanto à declaração sobre a possível destinação do material obtido pela invasão criminosa dos aparelhos celulares […]” [aqui].
A referência do Moro “a uma das vítimas” é ao ministro do STJ João Otávio de Noronha, que foi quem informou, em primeira mão, que “Recebi pelo ministro Moro a notícia de que fui grampeado”.
Apesar de afirmar que “Não tenho nada que esconder, não estou preocupado nesse sentido”, Noronha transparece tranquilizar-se com o comunicado que recebeu de Moro: “As mensagens serão destruídas, não tem outra saída. Foi isso que me disse o ministro e é isso que tem de ocorrer” [aqui].
Como se percebe, não se trata de “apenas um mal-entendido”, como agora alega Moro, mas sim de mentira sobre o fato sucedido.
Um deles 2 está mentindo. É fundamental saber qual deles mente. Será o ministro bolsonarista Sérgio Moro, ou o ministro lavajatista João Otávio de Noronha?
A situação tanto do Moro como a do Noronha é complicada, seja na hipótese de terem mentido, seja na hipótese de terem falado a verdade sobre a intenção de destruir provas.
A situação do ministro do STJ, porém, adiciona complicações, porque caso tenha falado a verdade, Noronha teria prevaricado e deixado de dar voz de prisão a um delinqüente – no caso, Sérgio Moro – que lhe comunicava o cometimento de crime em flagrante.
Noronha, além disso, teria estimulado o crime de Moro: “[…] é isso que tem de ocorrer”.
A solução para esclarecer a verdade sobre este caso escabroso é uma acareação; colocar Moro e Noronha frente à frente para saber quem deles mente, mesmo sabendo que os 2 estão, desde logo, seriamente implicados com ilegalidades.

Por Jeferson Miola

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